terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Parque Pedra da Cebola




Nome oficial: Parque Pedra da Cebola.

Área: 100.005 m².

Localização e acesso: situado na Grande Goiabeiras, próximo à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Possui três acessos: pela Av. Fernando Ferrari, pela Av. Carlos Gomes de Sá com Rua João Batista Celestino e Av. Des. Demerval Lyrio com Rua Vicente de Oliveira.Bairros: Mata da Praia, Morada de Camburi e Jardim da Penha.


Topografia: relevo suave ondulado na parte superior, separado por um paredão abrupto, cava da antiga pedreira, que foi recuperada para instalação de parte do parque. Uma formação rochosa exposta em forma de bolder - bloco oscilante suspenso, com altitude de 26,7 m. Duas depressões em rochas foram aproveitadas para construção dos lagos artificiais. Sob a rocha-base que sustenta a Pedra da Cebola, existe um marco geodésico, protegido por lei federal, que serve de auxílio a medições topográficas.


Flora: presença de vegetação rupestre, sendo ambiente de transição de restinga para floresta de Mata Atlântica (mata de tabuleiro).


Fauna: pequenos répteis, aves migratórias e aves domésticas introduzidas (patos, marrecos, gansos, galinhas d'angola, pavões, perus e garnisés), mamíferos (coelhos e preás), quelônios (tartarugas, jabutis e cágados) e no lago das bromélias (ver foto), carpas.


Cercamento: com muros das residências do entorno e alambrados. Com elementos botânicos que servem de cerca viva (alamandas amarelas).


Espaço esportivo: campo de futebol e campo de beisebol, área para a prática de montanhismo, ciclovia, no interior do parque, com 1.200 m.


Espaço recreativo: playground, trilhas, pista para cooper, fazendinha e mirante.Espaço cultural: espaço cultural do Mosteiro Zen Morro da Vargem.Espaço para eventos: cobertura do playground e espaço da área esportiva para feiras e espetáculos.Setor de apoio à Unidade de


Conservação: sede administrativa, sanitários, espaço cultural, guaritas de acesso, módulo do Serviço de Orientação ao Exercício (SOE), local de recreação da terceira idade, centro de apoio às atividades de manutenção interna e recuperação de plantas e Centro de Educação Ambiental (CEA). O Parque possui um herbário de plantas medicinais, onde encontram-se cerca de 70 espécies diferentes, com painel informativo sobre cada uma delas, entretanto, não há distribuição de mudas, serviço oferecido no Parque Municipal de Tabuazeiro.


Características gerais:A região é um marco paisagístico importante no contexto sócio-cultural da cidade. Caracteriza-se por ter um relevo suave-ondulado, com terrenos de cota altimétrica que varia de 22 a 24 metros na parte superior. Na antiga cava funcionou, no período 1966 a 1978, a Pedreira Goiabeiras, de propriedade da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). A pedreira demolia as rochas do local para construção dos piers do Porto de Tubarão.

O Parque Pedra da Cebola, uma área do Governo Estadual, foi entregue à Prefeitura de Vitória no dia 07 de junho de 1997, através de contrato de gestão. Pelo contrato, a PMV assumiu o compromisso de implantar um parque com características metropolitanas.

No Parque, destaca-se a Pedra da Cebola, um monumento natural tombado em 1986 pelo Conselho Estadual de Cultura, que tornou-se um marco cultural, paisagístico e ambiental da cidade. A pedra é uma formação geológica sob forma de bloco oscilante ou suspenso que, devido ao intemperismo, assumiu formas arredondadas com sulcos em suas bordas. O aspecto de cebola é dado também pela vegetação rupestre em seu topo. Da Pedra da Cebola o visitante pode observar a Praia de Camburi, o Porto de Tubarão, o Morro do Mestre Álvaro, localizado no Município da Serra, o manguezal do Lameirão e todo o Maciço Central.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Saneamento Ambiental: Baia de Vitória - Mangue

Saneamento Ambiental: Baia de Vitória - Mangue

Baia de Vitória - Mangue


Navegando-se do Oceano Atlântico em direção à Ilha de Vitória observa-se, à esquerda da ilha, a entrada de uma larga Baía. Ao penetrarmos nesta Baía cercada de morros, passamos sob pontes, por bairros que se edificaram às suas margens, pelo porto e pelo centro de Vitória. As águas tornam-se cada vez mais calmas e avista-se uma floresta cujas árvores possuem troncos retorcidos e crescem sobre um solo mole e lamacento. Nesse entre-marés, ora alagada e ora seca, encontra-se o final da Baía de Vitória e o início das florestas de mangue.

A paisagem atual é certamente bem diferente da observada por nossos colonizadores que penetraram na Baía de Vitória há 500 anos. Os locais onde edificaram-se os bairros que atualmente cercam a ilha eram, outrora, exuberantes florestas de mangue que, pouco a pouco, foram sendo aterradas por nossos colonizadores e mais recentemente por nossos governantes. O potencial biológico e social dos manguezais ficou durante muito tempo oculto para a ciência.

A partir da década de 70, cientistas de todo mundo intensificaram as pesquisas sobre os manguezais e “descobriram” a sua importância ambiental e econômica. Muito antes de cientistas existirem os índios já haviam descoberto a riqueza dessas florestas. Toda a fartura de alimento existente nos mangues há milênios já atraía os seres humanos que viviam próximos ao litoral. Sabe-se, depois da descoberta de sambaquis nos manguezais da Baía de Vitória, que grupos indígenas coletavam moluscos e crustáceos e pescavam nesse local há pelo menos 2000 anos antes de Cristo.
Os manguezais são consideradas atualmente um dos ecossistemas marinhos mais produtivos do planeta. Encontradas nas regiões Tropicais e Subtropicais, entre os trópicos de Câncer e Capricórnio, funcionam como verdadeiros berçários do mar, locais onde se reproduzem e se desenvolvem inúmeras espécies marinhas e estuarinas.

Milhares de anos se passaram desde o primeiro contato do ser humano com este ambiente, e os manguezais permanecem como um dos ecossistemas costeiros mais importantes para as cidades litorâneas em termos de produção de recursos naturais (sururu, ostra, mexilhão, camarão, peixe, caranguejo etc.). A pesca ou coleta desses recursos constitui uma fonte de subsistência, muitas vezes a única, para milhares de famílias ao longo do litoral brasileiro.
Apesar de sua grande importância sócio-ambiental, os manguezais distribuídos ao longo do litoral brasileiro vêm sofrendo sérios impactos. Toneladas de lixo, esgoto doméstico e industrial produzidas pelas cidades foram ou continuam sendo lançadas nos manguezais. A poluição e a contaminação, aliadas à especulação imobiliária e à pesca predatória, fazem com que diversas comunidades tradicionais, que sempre sobreviveram da pesca ou da coleta de mariscos, sejam obrigadas a abandonar suas atividades no manguezal e buscar outras fontes de subsistência.
A sensibilização e o conhecimento da população de Vitória com relação à importância social, cultural, biológica e econômica do ecossistema manguezal cresceu muito nos últimos anos, contudo, observamos que o hábito de jogar lixo no mangue permanece arraigado nas pessoas, especialmente nas que residem em bairros que circundam esse ecossistema. Ao longo de anos de história, na qual os nossos próprios governantes incentivavam o aterro dos manguezais com lixo, criou-se uma visão de que mangue é sinônimo de sujeira.

O manguezal é um ecossistema onde ocorre decomposição de matéria orgânica de uma forma muito intensa. Essa decomposição gera gases que dão ao mangue um odor característico, muitas vezes interpretado como sinônimo de sujeira. Mas ao contrário do que muitos pensam e de acordo com o saber popular, a lama do mangue tem propriedades medicinais, ela funciona inclusive como cicatrizante, provavelmente pelo alto teor de iodo encontrado na mesma. Na verdade, o mal cheiro que atribuímos ao manguezal muitas vezes não é uma característica natural desse ecossistema e sim uma conseqüência dos esgotos de nossas próprias casas que, em muitos bairros que circundam Vitória, são lançados in natura no manguezal. Não podemos dizer, portanto, que o manguezal é sujo e sim que nós o fazemos sujo.
A falta de informação a respeito do ecossistema manguezal é um dos principais fatores que leva muitas pessoas a assumirem uma postura de degradação ao invés da de conservação. Para transformar essa situação é necessário rever valores e mudar atitudes, o que indica a necessidade de um trabalho sistemático de e educação ambiental.


Fonte: NUNES, André G. Alves. Os Argonautas do Mangue: uma etnografia visual dos caranguejeiros do Município de Vitória - ES. Dissertação de mestrado. Mestrado em Multimeios, UNICAMP: 1998. No prelo.